21 de dezembro de 2015 admin

Que esta “chama olímpica” não passe por aqui.

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Em meados da crise na Grécia, alguns anos atrás, já se dizia que o grande causador de todas as dívidas e dificuldades do governo Grego em honrar suas contas se dera em função, também, das Olimpíadas de Atenas realizadas em 2004. O governo financiou grande parte do total gasto para a realização dos jogos, algo em torno de R$ 21bilhões, pois esperava obter melhores resultados a longo prazo advindo das olimpíadas, o que não aconteceu.

(Alguma semelhança com o Brasil? Espero que não.)

Os jogos se foram e o que viu-se na época foi muita corrupção, contratos superfaturados, aumento dos gastos em segurança – em função dos atentados de 2011 nos EUA -, arrecadação (dos jogos) pífia, contas e mais contas públicas para pagar e estádios e ginásios abandonados (foto) ao longo dos anos. A economia, que já era uma das mais pobres da U.E., encolheu e quebrou.

(Alguma semelhança? Tomare que não.)

Pois bem, hoje a Grécia está em recessão por quase uma década. Tem uma das mais altas taxas de desemprego do mundo, 25%. A dívida pública do país já esteve em 144% do PIB (dados de 2011). A economia ainda está dependente da U.E. e não tem ao menos sinais de recuperação. Uma catástrofe.

Alguma semelhança com o Brasil?

Ainda não.

Apesar de sabermos que a Grécia falida teve seus deslizes em função das Olimpíadas de 2004 nada se compara ainda com o que estamos vivenciando no Brasil pós Copa do Mundo. “A situação do Brasil ficou ruim, vai se intensificar, mas está longe da que muitos países europeus enfrentam neste momento”, disse Ekkehard Ernest, economista chefe da Organização Mundial do Trabalho, com sede em Genebra.

Na Espanha a taxa de desocupação em 2015 é de 22%. Em Portugal 12%. A do Brasil deve chegar aos 10% ainda este ano.

Por isso que a semelhança ainda é inexistente com relação a Grécia e também, por que não, à Espanha.

O Brasil tem forças para se reerguer devido a vários bons fatores que vimos e que ainda estão para acontecer: criação de novas empresas que precisam se sustentar, investimentos estrangeiros que não podem se perder, população economicamente ativa maior que idosos e crianças, ajustes fiscais que deverão vir em 2016, fortalecimento da indústria local com alta do dólar, melhoria da qualidade de mão de obra, dentre outros fatores positivos que estes países europeus não tiveram a oportunidade de experimentar por longos anos.

Enfim, assim como a Grécia teve em seus jogos a oportunidade de fazer bonito mas falhou, não vamos deixar que esta “tocha” passe por aqui, fazendo com que a semelhança, hoje ainda inexistente, seja uma péssima coincidência.

Vamos em frente.

 

Luiz Octávio Reis é Administrador pela FGV, Consultor/Diretor da Ágile Consultoria.
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